Sem motivo
A lágrima não compra o sorriso
E nem um pedaço de sentimento.
O gemido e a dor do momento
Torna o amor não mais paraíso
Sua atitude expirou o pensamento.
Toda razão agora virou riso...
E a solidão surge com seu guizo
Para inundar meu peito, invento...
Estou assim perdido e sem motivo,
Querendo encontrar teus olhos no vento
Para deixar de ser tão cativo.
Busco alívio na única versão
Capaz de mudar os fatos...E tento
Reverter para sempre em vão.
GREDILHA, marcio
Marcadores: soneto
Serenata louca
Sensibilidade de irradiação por feixe
Num olhar desprovido de quimera
Busca insana pelo choro, quisera
Desfrutar da liberdade de um peixe.
Oh, ânsia perfundida! não me deixe
Pra encontrar o câncer de uma esfera
Dentro da anatomia que exaspera
Triunfando mórbido com desleixe...
Arranca de mim o desenrolo
Incansável arte que a dor não soube
Na destreza eviscerada do consolo
Desfazer o breu que em mim não coube,
Amargurado com seus atos; este tolo,
Pede à vida que ao louco amor não roube.
GREDILHA,marcio
Um quarto, uma tv sem cor.
A porta se abriu, era a razão...
Os olhos umedecidos de solidão
Derrama dentro a mesma dor.
Quisera eu poder cantar em flor
E tocar em teus lábios vão.
Em silêncio tocar teu coração
E enfim poder morrer de amor.
Cansado e triste, sou menino.
Meu choro sem lágrima, destino
Que agora em vida esbarro.
Toda arte se resume ao beijo.
Eternizar é o meu maior desejo:
O teu último cigarro.
GREDILHA,marcio
Um beijo... E às vezes chora...
Nenhum sorriso me alcança.
Cantar e viver de lembrança.
Meu sangue corre e devora...
Perfeito em palavra e em trança.
No íntimo um maldito porre agora,
Comum ao preconceito afora :
Aos filhos da cruél matança
Respeita e apenas implora.
O leito caracteriza a herança.
E o olhar definha e explora...
Vírus...Um soneto de criança...
E a tristeza do poeta revigora.
E a morte lentamente avança.
GREDILHA, marcio
Poeta de rua
Prestes a morrer e preguiçoso
Perdendo forças freqüentemente
E tempo online, pelo que sente,
Em busca de gozo...
Por maior solidão que seja,
Não existe amor e nem sorte.
Apenas um caminho de morte
Se é que vale o que deseja.
Não mais, levo minha vaga,
Para os arquivos do esquecimento.
Lá pelas bandas offline do mistério.
Pode ser que eu encontre a praga,
A mesma alcoólica do vento :
Que fez de mim um homem sério...
GREDILHA,marcio.
Poeta de rua








